Nem só de demissões e retração de investimentos é feita a turbulência econômica mundial. Pelo menos não para o setor de tecnologia da informação (TI). Apesar da queda da demanda em grandes empresas do setor, como Dell, Hewlett-Packard (HP) e Nokia, e da redução das perspectivas de crescimento para este ano, os resultados esperados passam longe da retração. É o que aposta a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), que prevê um crescimento de 6% do mercado de TI no país em 2009, percentual quase duas vezes superior à expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, de 3,2%, estimada pelo governo federal e Banco Central (as projeções do mercado e Fundo Monetário Internacional para o PIB são mais modestas, em torno de 0,5%).
Apesar da desaceleração do ritmo de crescimento, que vinha na casa dos 10% ao ano, o setor não vai deixar de gerar postos de trabalho e grande parte do impulso da produção virá das novas oportunidades de negócios, tanto no mercado interno quanto fora dele. Para a Brasscom, 40 mil vagas devem ser abertas para a área em todo o Brasil somente este ano. “Em tempos de crise, a tecnologia da informação é uma ótima ferramenta para corte de custos e aumento da produtividade e uma alternativa aos efeitos da retração da economia”, explica Antônio Gil, presidente da Brasscom.
Em Minas Gerais, o segmento de software, que elevou o faturamento para R$ 2,8 bilhões em 2008, alta de 25%, segundo a Sociedade Mineira de Software (Fumsoft), vai manter o forte ritmo de produção. “O segmento deve crescer, em média, 20% em todo o Brasil, e Minas pode superar essa taxa de expansão, atingindo 25%”, avalia Mauro Lambert, assessor de tecnologia da Fumsoft. Com 20 mil empregos formais no estado, a carência de mão-de-obra ainda é um entrave ao desenvolvimento do setor, que concentra 90% do contingente de trabalhadores na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Para ter uma ideia, de 2000 a 2007, o mercado de trabalho no segmento de software cresceu 358% na Grande BH, passando de 1,5 mil para 7,2 mil profissionais com carteira assinada no período.
No cenário nacional, a situação não é diferente. Segundo a Brasscom, somente em 2008 mais de 30 mil vagas na área de TI em todo o país ficaram em aberto. A perspectiva é de que a alta demanda por mão-de-obra continue, já que apenas 44 mil novos profissionais devem entrar na concorrência por uma colocação nesse mercado, para 70 mil postos de trabalho que estarão à disposição. Resultados que serão alcançados somente segundo uma avaliação com foco no mercado brasileiro.
Se depender da perspectiva da IT Data, de expansão de 30% do mercado de offshore outsourcing, em que as empresas terceirizam o serviço de tecnologia em outro país, a previsão da Brasscom chega a 100 mil vagas abertas no país até 2011. Segundo Gil, o outsourcing deve movimentar US$ 84 bilhões em 2009 no mundo inteiro. Somente a Índia vai abocanhar US$ 60 bilhões dessa fatia, que ainda é disputada pela Rússia, Filipinas, Brasil e México. Nessa corrida pela segunda colocação, o Brasil deve levar vantagens. “Somos o oitavo maior mercado interno do mundo e ainda temos muito potencial para crescer. Não ocuparemos a segunda colocação este ano, mas entre os países na disputa, temos o maior potencial de expansão e, em quatro anos, devemos estar atrás da Índia no domínio do setor”, avalia.
Chegar a essa colocação não será uma tarefa fácil para o país, que comanda apenas 1% no mercado mundial e que, em 2008, exportou apenas US$ 800 milhões em TI. Para atingir a meta de US$ 1,3 bilhão de exportações em 2009 e de US$ 2,5 bilhões em 2010, a Agência Brasileira de Promoção e Investimentos (Apex Brasil) já divulgou investimentos de R$ 29,4 milhões. O Vale da Eletrônica mineiro, cujo epicentro está localizado na pequena Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, será um dos polos brasileiros beneficiados pelos incentivos e pretende sair dos atuais 10% de produção destinada ao mercado externo para 15% até março de 2011.
Além do Vale da Eletrônica (também conhecido como Vale do Silício brasileiro, numa referência à Califórnia, nos EUA), Minas ainda conta com polos de excelência do setor espalhados pelo estado e pode chegar a concentrar cinco parques tecnológicos até 2012. Um deles, o BHTec, deve iniciar as operações no câmpus Pampulha da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2010. Para estimular o desenvolvimento de produtos de alta tecnologia, o governo do estado já anunciou investimentos na criação do Parque Industrial de Tecnologia para atrair investimentos de empresas mundiais para a região.
Fonte: Estado de Minas
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